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SUZANNE CIANI – A MUSA DOS SINTETIZADORES

História

Na história da música eletrônica existe um número considerável de pioneiras que, até hoje, nos inspiram com suas trajetórias. Mas há uma em particular que se destacou por mostrar ao grande público quão fascinantes são os sintetizadores e suas diversas possibilidades de uso, na TV, no cinema e até nos vídeo games.

 

Suzanne Ciani nasceu em 1946, em Indiana, nos Estados Unidos. Aos 6 anos de idade a menina de nome e descendência italiana teve o seu primeiro contato com a música, por meio de um piano de seus pais. Esse interesse se entendeu até a época da faculdade, onde, paralelamente ao curso de Artes Liberais, Suzanne estudava música clássica.

 

Mas foi durante o seu mestrado, na Universidade da Califórnia, que um homem mudou o rumo de sua vida. Logo no primeiro ano de curso, Suzanne foi apresentada por meio de seu namorado a Don Buchla, o inventor dos sintetizadores modulares.

Apesar de Robert Moog ter ganho mais popularidade com os seus sintetizadores nesta época, ele admitiu que Buchla foi o primeiro a criar um conceito de como colocar todos os módulos juntos, transformando-os em um instrumento musical.

Fascinada pelo instrumento musical, Suzanne não tinha outra opção se não pagar 5 dólares (por visita) a um estúdio em sua cidade que possuía um sintetizador modular Buchla. Esse cenário a incentivou a arranjar um emprego no Tape Music Center de São Francisco, e assim poder comprar o seu próprio Buchla 200 (o que não foi tão fácil, já que ela ganhava 3 dólares a hora).

Ainda que o seu primeiro trabalho remunerado como compositora tenha acontecido em 1969, foi nos anos 70 que sua carreira começou a decolar. Levando na mala apenas suas roupas e seu sintetizador, Suzanne mudou-se para Nova Iorque e, após ganhar uma certa experiência realizando performances em eventos privados, fundou a Ciani/Musica Inc., sua própria produtora. Nela, Suzanne fazia jingles para comerciais de TV e rádio – um trabalho que a satisfazia bastante, pois tinha uma maior liberdade de criação.

 

Durante este período ela foi a responsável por criar efeitos sonoros para grandes marcas, como a vinheta com o logo do canal americano ABC e o clássico som da Coca-Cola, onde uma garrafa de vidro é aberta e despejada em um copo.

Estes trabalhos foram cruciais para mostrar ao mundo a diversidade de áreas em que suas produções eletrônicas poderiam atuar.

Suzanne foi a responsável pelo primeiro concerto da história feito com um Sintetizador Buchla, em 1975.

Em 1979 ela foi encarregada de produzir os efeitos sonoros de um jogo de pinball chamado Xenon. Um marco na história dos games, já que esta foi a primeira máquina de pinball a contar com uma voz feminina.

Este trabalho a concedeu um lugar no hall da fama da Pinball Expo 2013, a maior exposição de pinball do mundo que acontece anualmente em Chicago, cidade berço de grande parte dos fabricantes de pinball.

Por falar em voz, todas as palavras que saiam da boca de Suzanne soavam incrivelmente doces (e sexy). Após o projeto bem sucedido com o game Xenon, ela sampleou sua voz em um chip de áudio e o disponibilizou para outras aplicações, como anúncios de elevador e simuladores de voo do governo americano.

 

Em 1980, Suzanne Ciani foi convidada para participar em um dos mais famosos talk shows dos Estados Unidos, o David Letterman Show. Bem humorada, ela mostrou para a imensa audiência do programa um pouco do processo de criação de suas produções.

 

Um fato curioso que poucos sabem. Estava acordado com os produtores do show que, ao final de sua apresentação, ela poderia tocar uma de suas tracks junto a banda do programa. Infelizmente, o apresentador David Letterman a interrompeu e decidiu cortar para os comerciais antes que isso acontecesse.

No início dos anos 80 ela conquistou mais um grande feito em sua carreira. Ao criar a trilha sonora para o filme “A Incrível Mulher que Encolheu”, ficou marcada como a primeira mulher a realizar, sozinha, uma composição para um filme de Hollywood.

 

Pouco depois, em 82, Suzanne lançou o “Seven Waves”, seu primeiro álbum de música eletrônica e new age, que foi disponibilizado inicialmente no Japão e dois anos depois nos Estados Unidos.

O álbum não foi lançado primeiro nos EUA devido a dificuldade que as gravadoras americanas tinham naquela época em vender tracks de música eletrônica com vocais femininos.

Este álbum foi produzido, quase que inteiramente, com sequenciadores MC-4 e MC-8, um sintetizador Prophet 5 e a clássica bateria eletrônica Roland TR-808. O título dele (em português, “Sete Ondas”) era uma referência às ondas sonoras e às ondas do mar – Suzanne sempre fez essa associação em suas produções, abrindo grande parte de seus concertos com sons de ondas do mar.

 

Daí em diante, mais e mais conquistas vieram. O prêmio Leão de Bronze no Festival de Cannes, a fundação de sua gravadora independente (Seventh Wave) e a nomeação ao Grammy foram algumas delas. Nem mesmo ser diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial, em 1992, foi o suficiente para parar a americana.

Suzanne Ciani continua em plena atividade (e com a agenda incrivelmente lotada) até os dias atuais, produzindo EP’s, dando palestras e workshops e tocando em grandes eventos ao redor do mundo, como o Dekmantel Festival 2019.